Como sobreviver no Rio (e na ponte aérea)

(… continuação de Bombando na Espanha II)

Tá certo. Entrei no avião e quem ia do meu lado? Uma moça. Desconhecida Uns 60 anos de idade. A companhia perfeita para mais de 10 horas de viagem, não? E daquelas 10 horas sem paradas… (mania popular, acostumado com ônibus…)

Aliás, nada contra senhoras desconhecidas com mais de 60 anos de idade que viajam para a Espanha. A maior parte deve, inclusive, ter milhas e milhas de experiências e histórias para contar. O problema é que depois da segunda hora o assunto costuma ficar escasso e, como já espero o pior, a tendência é que a moça – na hipótese de ser super comunicativa – começaria a repití-los até que eu pudesse recitar o diálogo de cór, por conta própria, até meu retorno ao Brasil – um mês depois.

Tudo ótimo. Nenhum ensaio de diálogo. Todos concentrados. Eu com meu livro de política. Ela com outro. E é claro que com 10 horas de viagem dá tempo de sobra de ler o meu e ainda acompanhar uns 3 capítulos do dela que era… “How to survive in Rio – A handbook in the jungle” (ou algo similar). Muito gentil, não?

Aprendi, nas longas 10 horas, a como atravessar a rua no Rio de Janeiro onde, “em um movimento selvagem de cada um por si, todos correm por cima de todos”. Aprendi também a guardar meu dinheiro na underwear porque “o habitat é repleto de pickpockets”, entre outras lições que eu, infelizmente, só fui descobrir então aos 21 anos.

Chegando lá fomos pegar a mala… Mala… er… Cadê a mala? Esteira vai, esteira vem… Malas indo, malas vindo e… nada. Espera, espera mais, reclama, espera, espera, reclama denovo, espera mais… E então só restava uma mala (enorme e que não era minha) e um guarda-chuva (?!). A raiva aumentava. O medo ia junto.

Cerca de uma hora depois, sentado no carrinho imaginando que talvez minha mala tivesse sido mais um alvo do ETA (ou não), olho para o carrinho da menina (com cara de doida) ao lado e vejo uma mala IGUAL a minha.

_ “eeer… Essa mala é sua mesmo, menina?” *espia o nome no papel de identificação*
_ “É ué… Por que?”
_ “Por que…” *espia mais o nome* “a mala e o nome no papelzinho são iguais aos meus…”
_ “AH!”

A mala era minha. A outra da esteira – enorme e nada parecida com a que ela havia pego – era dela.

E o guarda-chuva (!?) ficou sem dono…

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Bombando na Espanha II

(… continuação de Bombando na Espanha)

Sabendo que o nosso terminal na Espanha havia sido detonado em um ataque terrorista, o jeito era esperar. E esperamos.

Digo esperamos por que não era o único. Não em termos de passeiro, óbvio. Em termos de grupo já que, como disse, se tratava do início de um intercâmbio.

Ninguém se conhecia, salvo raríssimas excessões, o que facilitou a interação. Não haviam grupinhos, nem abertos nem fechados. O que se sabia – e todos sabíamos juntos – é que de lá iríamos para Madrid (onde algo estranho viria a acontecer, por conta do atentado) e que, após o reveillon, cada um se dirigiria com seu grupo para uma cidade diferente na Inglaterra, onde o intercâmbio de verdade teria início.

Partí, então, para a aventura do descobrimento. Queria saber quais eram os outros loucos que ao invés de selecionar às famosas Oxford, Londres e Cambridge, haviam escolhido Swanage ou a minha Canterbury.

Descobri o tal do Reinaldo. Sujeito gente boa, praticamente da minha idade, estudante de jornalismo da PUC-Rio. Ele, tão ‘aventureiro’ quanto eu, se juntou a saga de perguntar um por um pra onde iria e o que fazia da vida. Em menos de meia hora estava composta uma rodinha de conversa na sala de espera do Aeroporto. Todos sentados no chão, é claro.

Entre eles, Renato e Bia, futuros companheiros da incomum opção por Canterbury. Alias… Foi a partir daí que eu descobri como se falava Canterbury na mais pura pronuncia do inglês da Rainha (Elizabeth II, claro). “A” com som de “A” – bem aberto (!!) -, “TER” semelhante a um expressivo “T mudo” e “U” com som de “Ô!

Nesta hora percebi que meus oito anos e meio de Cultura Inglesa me ensinaram um inglês de um britânico, sim, mas que morara nos Estados Unidos pelos últimos 30 anos.

Grupo tranquilizado e avião tomado, tinha início a viagem de mais de dez horas no frio congelante que só os aviões de companias aéreas internacionais sabem fazer.

(… a ser continuado)

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Bombando na Espanha

Continuando a série de textos sobre viagens, gostaria de falar hoje da Espanha… Pra lá fui duas vezes.

A primeira em julho de 2001. 16 aninhos. Um único e singelo dia. Era verão radiaaaante em Portugal no auge de seus 23° graus (durante o dia, por que a noite caía pra 7ºC) e família resolve atravessar o tal do Rio Minho (uma espécie de Rio Paraibuna que separa Espanha e Portugal), pisar na terra da Paella, fazer compras e ver o sutaque acelerado español.

E segue o roteiro: viagem de carro, chega-se em Valencia. observa-se a arquitetura antiga mas não tão conservada quanto a de Portugal, vamos na Zara (brasileiro na Europa TEM que ir na Zara), comemos a paella (a melhor coisa da Espanha), eu descubro que Andorra não faz fronteira com Portugal (e, pelo visto, não fica nem perto), e voltamos pelo tal Rio Minho, o Paraibuna europeu.

A segunda no reveillon de 2006/07. 21 anos. Uma noite e meio dia. Estava indo para a Espanha passar a noite de ano novo, fazer um pequeno tour e, então, partir para o meu primeiro micro-intercâmbio de um mês estudando na Inglaterra.

Essa bombou! Mas bombou demais. Bombou tanto que derrubou um estacionamento recém construído de 5 andares. E o detalhe mais interessante: bombou exatamente no meu Terminal (4) no Aeroporto de Madrid.

Vocês lembram aquele atentado terrorista do ETA depois de mais de ano sem promover ações violentas? Pois é. Eu estava no Aeroporto do Galeão (Rio), esperando o voo quando misteriosamente surge um atraso de duas horas: “Pronto, é o tal do apagão aéreo. Vou passar o reveillon xingando o Lula num avião da Air France”. Naqueles tempos qualquer coisa era motivo para xingar o Lula e o apagão aéreo.

Meia hora depois vem o alívio por parte dos funcionários do aeroporto: “O problema não foi o apagão”. UFA! “Foi um atentado terrorista no Aeroporto de Madrid, Terminal 4, com mais de 100 kg de dinamite”. AHHH, agora sim eu estava tranquilo pra começar minha primeira viagem de intercambio. E o melhor: eu não viajaria nem de Air France. Era Ibéria.

(continua…)

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Destino incerto, rumo indefinido

Foi em 1996, com recém completados 11 anos, que fiz minha primeira grande viagem sozinho. Partia em uma excursão para os Estados Unidos, em específico à Disney, com um coleguinha, seus dois irmãos mais novos, e uma galera que eu nunca havia visto na vida.

Foram 15 dias fantásticos que nunca vou esquecer…

Quinze dias que duram até hoje por terem criado em mim uma motivação absurda de conhecer cada vez mais lugares. No exterior e no Brasil.

Nessas viagens tive muitos aprendizados, conheci muita gente, fiz grandes amigos – e até irmãos – e, principalmente, passei por ‘causos’ dos mais variados, incluindo o falecimento de minha host family, um atentado terrorista e a perda de uma boa parte das minhas bagagens. Coisas que, de maneira geral, só acontecem comigo.

No dia 2 de junho de 2008 iniciei o Blog  Destino Incerto onde contaria todas essas histórias. Contei algumas, a maioria acabou ficando em espera e, depois da data, muitas outras aconteceram. Não voltei a escrever.

Usarei a partir de agora o espaço do Blog UAI, Jovem para narrá-las, aproveitando ainda para quebrar o clima, muitas vezes pesado, da política e das análises econômicas.

Destino incerto, rumo indefinido.

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Um típico mineiro do Rio de Janeiro

Na última sexta-feira tomei um ônibus a partir de Lavras, cidade de meu pai, com destino ao Rio de Janeiro onde encontraria com parte da minha família. Apesar de ser noite e as estradas estarem absurdamente escuras, pude rever algumas cidades as quais nunca mais havia visitado.

Passei pelo circuito das águas de São Lourenço e Cambuquira, pela altitude da sempre gelada Pouso Alto, pelas lembranças de Pelé em Três Corações… Um passeio fantástico.

No Rio, além de ver os familiares como sempre, resolvi repetir algumas ações – também nostálgicas – que há muito não fazia. Coisas simples, claro, mas que as vezes fazem falta como ler O Globo na Pedra do Arpoador tomando uma água-de-coco e seguindo com uma corrida pela orla até o Leblon que culmina em um banho de mar. Tudo isso com uma leve brisa em um sol de 35 graus.

A cidade estava maravilhosa mas, ainda assim, a melhor parte foi a das reflexões do retorno que me fizeram ter ainda mais certeza sobre uma verdade absoluta que conheci quando me mudei para Minas Gerais.

Voltei para São João del-Rei passando por Juiz de Fora, Barbacena, Barroso e Tiradentes. Cidades igualmente lindas, cada uma com a sua individualidade… Que provam, para quem as conhece bem como as demais do estado, a maior verdade do mineiro:

Triste é o mar por não poder banhar as Minas Gerais.

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Abertura

Sejam bem vindos, amigos!

Inicio o Blog ‘UAI, Jovem…” no sentido de compartilhar com vocês algumas idéias que envolverão uma série de temas dentro do assunto que somos nós: os jovens mineiros!

Falarei de projetos governamentais de sucesso – ou nem tanto -, de novas pesquisas acadêmicas, de idéias para o futuro – ou presente -, de bares, restaurantes e bons lugares para passar os finais de semana, além de utilizar este espaço para meu foco principal: ouvir o que você pensa!

É esta a minha intenção! Construir este espaço, de Minas Gerais, contigo!

Conto com a sua visita constante!

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