Pelo fim da jornada de trabalho

Pauta constante das centrais sindicais tem sido a redução da jornada de trabalho padrão brasileira, hoje de 8 horas diárias, para apenas 6 horas. Justificam-se afirmando que esta redução daria ao trabalhador mais tempo livre – tornando-o até mais produtivo – além de abrir as portas para novos contratados que supririam a demanda por mão-de-obra.

O produtor, no entanto, teria de continuar remunerando com o mesmo salário – nunca abaixo do mínimo – seu empregado que trabalharia 40 horas a menos por mês (praticamente uma semana de trabalho).

Em outras palavras, teria seu custo de produção elevado – uma vez que uma nova contratação demandaria mais treinamento, mais gerência e mais impostos, além do salário – e teria de repassar tal aumento ao consumidor por meio da elevação dos preços.

No final, o trabalhador ficaria menos tempo na empresa e teria seu poder de compra reduzido pela inflação de custos. Perde ele e perde o produtor.

Indo além, pior do que isso só supor que empresas de diferentes setores e ramos demandem a mesma jornada de trabalho. É ilógico, por exemplo, acreditar que o tempo de serviço deve ser o mesmo tanto em uma loja no interior do Amazonas como em uma assessoria de imprensa na capital paulista.

São realidades totalmente diferentes obrigadas a seguir a risca todo o planejamento do Governo – que sob a desculpa do bem estar social dita regras até na gestão do trabalho.

A solução para isso é bem óbvia: a extinção da jornada de trabalho.

Fato é que isto pode parecer radical mas, se analisado o contexto econômico e histórico, perceberemos que radical foi a sua criação.

Tomando os Estados Unidos como exemplo, vemos que o trabalhador por lá recebe por hora e semanalmente, ou seja, quanto mais se disponibiliza a realizar um bom trabalho e quanto mais demanda tem de sua empresa, mais receberá.

O salário mínimo existe e é por volta dos US$6,50 (algo em torno de US$1.100,00 caso aplicado ao caso mensal brasileiro). Recebe hora extra quem passa das 8 horas diárias e caso o trabalhador ultrapasse o tempo de 16 horas em um dia ou tem um descanso inferior a 8 horas de uma jornada para a outra, receberá dobrado.

Isso permite não só que o empresário adote a jornada que melhor se ajusta ao seu ramo e a demanda sob a qual está submetido (podendo variar a intensidade de trabalho dependendo do mês e semana em que está) mas também garante ao trabalhador uma oportunidade maior de aumentar seu salário ou de trabalhar menos caso queira uma jornada menor.

Além, é claro, de dar uma real noção de quanto vale cada hora do seu trabalho até mesmo para orientar melhor o seu consumo.

Por todos esses motivos, sou pelo fim da jornada de trabalho.

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