Pela vida, por Cuba e pela liberdade

Inicio este artigo em um momento dicotômico para a política mundial. Por um lado, ativistas dos direitos humanos conseguem forte espaço na mídia e nos parlamentos de todo o mundo para lutar pela liberdade de expressão em Cuba. Por outro, as atrocidades parecem ficar cada vez piores dentro da ilha socialista, com o falecimento de Orlando Zapata, o grave estado de saúde de Guillermo Fariñas e a recente prisão de Néstor Rodríguez Lobania.

Neste caso, todos os três citados têm dois fortes pontos em comum. O primeiro é a sua militância política que lhes garantiu a classificação de “Presos de Consciência” pela Anistia Internacional – organização não governamental mundialmente famosa. O segundo é que são alvo de uma investida do Estado e mídia estatal cubana – liderada pelo jornal Gramna – que tenta transformá-los em criminosos comuns, criando fichas policiais onde os acusam de crimes contra o patrimônio e comportamento agressivo.Para entender um pouco melhor o assunto, apresento o breve perfil de cada um deles tendo por fonte matérias recentes do periódico espanhol El País.

Orlando Zapata Tamayo era encanador e pedreiro, fundador do partido Alternativa Republicana e preso em março de 2003 no conhecido e triste evento Primavera Negra, quando foram presos mais 75 ativistas políticos.

Guillermo Fariñas Hernández foi diretor da agência de notícias Cubanacan Press e iniciou sua vida pública pelos direitos humanos em 1989 a partir de um protesto contra o fuzilamento do general Arnaldo Ochoa. Está cumprindo sua terceira pena como preso político e é conhecido por uma série de greves de fome, sendo que sua última – e mais famosa – foi pelo livre acesso a internet para todos os cubanos.

Néstor Rodríguez Lobania é o líder do Movimiento Cubano de Jóvenes por la Democracia e havia sido convidado para palestrar sobre a situação cubana no 2º Encontro de Geneva para Direitos Humanos, Tolerância e Democracia. Após a concessão do visto para a viagem, as autoridades cubanas vetaram sua saída do país – caso que mereceu uma carta de apelo para intervenção da ONU assinada no dia 4 deste mês por 32 organizações internacionais.

Zapata faleceu no dia 23 de fevereiro após uma greve de fome de 85 dias por melhores condições aos presos cubanos, enquanto o presidente brasileiro Luiz Inácio da Silva fazia visita amigável aos ditadores Raúl e Fidel Castro. Lula, em entrevista a Associated Press, condenou a greve de fome como recurso para libertar presos.

Fariñas, em greve de fome junto a Zapata e pela libertação de 26 presos políticos com graves problemas de saúde, foi hospitalizado no dia 11 deste mês após desmaiar em seu 16º dia de protesto. Lula, bem como o fez o Gramna, declarou apoio a justiça cubana e comparou dissidentes políticos a presos comuns.

Lobania foi preso no dia 9 quando se dirigia para o Ministério de Justiça para fazer um novo apelo para que pudesse viajar para o encontro sobre direitos humanos em Geneva. Segundo o Directorio Democrático Cubano, a falsa alegação policial é de conduta violenta e de crimes contra o patrimônio. Lula se calou.

Na contramão ao chefe de Estado brasileiro, seguem parlamentares e organizações de todo o planeta – incluindo o Brasil – que remetem às Nações Unidas e ao Governo Cubano moções de repúdio e campanhas pela liberdade de expressão na ilha socialista.

No Brasil, o deputado Raul Jungmann (Partido Popular Socialista) protocolou no dia 10 uma carta, junto a presidência, dos movimentos oposicionistas de Cuba solicitando apoio do presidente Lula na luta pelos direitos civis. Tentou ainda uma moção lamentando o falecimento de Orlando Zapata mas, na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, o deputado Nilson Mourão, do partido de Lula, promoveu uma manobra que impediu sua aprovação.

No Senado, no entanto, o mineiro Eduardo Azevedo (social democrata) conseguiu aprovar um voto de solidariedade ao povo cubano.

O Parlamento Europeu, em votação histórica de 509 votos pró e 14 abstenções, uniu socialistas a liberais pela aprovação da moção de repúdio à repressão de Raúl Castro e de preocupação em relação a situação de seus oposicionistas pacíficos.

Percebendo este cenário internacional favorável – o qual orgulharia o recém falecido filósofo liberal francês Jean-François Revel, autor de “Como terminam as democracias” – onde pela primeira vez nas últimas décadas vemos uma forte campanha mundial pelos direitos humanos em Cuba, não podemos permitir que o passar dos dias faça com que a bandeira caia.

Não podemos esperar que Guillermo Fariñas morra, como já disse estar pronto para tal, e que novos ativistas da liberdade sigam o mesmo caminho. Devemos intensificar tal campanha global e agir já!

É por esta visão que integro a campanha da Federação Internacional das Juventude Liberais (IFLRY) que, junto a Freedom House e outras organizações internacionais, intensifica a ação de sua Comissão para Cuba e se prepara para lançar uma nova campanha que atingirá todos os mais de 80 países na qual possui entidades representantes.

Representando a Juventude Democratas de Minas Gerais estou nesta campanha e convido a todos vocês, sensibilizados pelo espirito de liberdade dos ativistas cubanos, que se unam a IFLRY nesta nova campanha. Todo tipo de ajuda, desde que sincera e em prol da liberdade, é totalmente bem vinda.

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