Como o @Sen_Cristovam me decepcionou

Tudo começou quando o Senador Cristovam Buarque afirmou, pelo seu Twitter (@Sen_Cristovam), a importância de se ter uma educação que fosse igual para todos. Padronizada e controlada pelo Estado.

Tenho uma admiração muito grande por ele. Defendi suas propostas quando foi candidato a presidência mesmo estando mais alinhado ideológicamente ao candidato tucano Geraldo Alckimin naquela época. Mas isto foi absurdo demais para o meu credo.

Fiz meu questionamento, via Twitter, sobre a questão: em um mundo moderno como o atual, todos realmente devem estar submetidos a um único modelo pedagógico padronizado e controlado pelo Estado? A escolha realmente deve ser do Governo e não dos pais? O Senador não respondeu.

Voltei a perguntar uma série de vezes até desistir do @Sen_Cristovam e questioná-lo porque ele só respondia a elogios. Para minha surpresa ele resolveu responder hoje, às 22:30:

V. não deve me acompanhar. Respondo mesmo gosto elogios e críticas. Estas trazem mais desafios.Mande brasa na crítica.

Sendo assim, refiz todo o meu questionamento relembrando ao Senador o que ele havia falado – mais de uma vez, alias. Do @Sen_Cristovam só veio a vergonhosa resposta a seguir:

Atendendo pedidos, estou “greve de fome” há 24 horas, sem falar educação. Tentarei ficar 36 horas.

Só me resta, a partir daí, continuar com a minha decepção tanto em relação a idéia – que dá ao Governo o poder de discernir sobre a educação de cada um de nós e nossos filhos – e ao comportamento do Senador.

Por fim, colo abaixo mensagem minha retwittando o anônimo @Marceloca:

@VictorGuedes: Isso mesmo. As idéias… RT @marceloca: Sr. @Sen_Cristovam, já deu para ver q @victorguedes está apenas defendendo o q é dele.

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13 thoughts on “Como o @Sen_Cristovam me decepcionou”

  1. O Brasil precisa parar de confundir intriguinhas e críticas enraivecidas com o não-conformismo que devemos ter em relação aos políticos…. A começar pelo comentário de Marcelo…. Chamar todo mundo de ladrão não adianta nada… Tudo bem que o governo de São Paulo seja ruim para a educação, mas essas críticas são muita raiva e pouca idéia…. E acho que isso também acontece um pouco com você, Victor…. me deu a impressão de que quis criticar Cristovam Buarque sem entender direito o que ele dizia sobre a tal padronização….

    Paulo Freire, internacionalmente reconhecido como um excelente pedagogo (mas aqui muito desvalorizado, principalmente pela Veja, que fez comentários ridículos dele há alguns meses), foi secretário da Educação e desistiu, porque é difícil agir nesse país… E isso é culpa de todos, inclusive do povo…. E por isso é tão importante a educação, porque só com um povo instruído teremos democracia, cidadania, etc… Pelo que conheço de Cristovam é a isso que ele se refere….

    Abraço!

  2. alinhado com Alckmin e defensor da educação? impossível…por que vc não vem ao estado de S.P. e ver a roubalheira, o desastre e o caos administrativo, o sucateamento e a destruição da escola pública, tendo como algoz principal a quadrilha tucana e Alckmin, o mesmo que ficou 12 anos no poder (06 como vice e 06 como governador). Bem, não é para menos que também admira Cristovam Buarque, tão mal caráter e hipócrita quanto o ladrão tucano do Alckmin…sugiro que vc venha fazer uma visita as escolas públicas paulistas e peça o hollerith de um professor para que vc também comprove a política de desprezo total ao professor imposta pela quadrilha tucana em 16 anos de (des)administração

  3. Olá, Graciane!
    Muito válido o seu posicionamento e eu concordo que o trabalho do político, no caso o Senador, é olhar por todos nós. Mas eu discordo desta metodologia educaional, bem como afirmei em resposta agora pouco ao amigo Fábio.
    Bem como respondi à ele, devemos repensar o papel da educação no Brasil. Qual é o seu objetivo? É interessante que o aluno do interior do Amazonas, por exemplo, aprenda o mesmo que aquele que estuda na metrópole paulista? Eu acredito que não.
    Em muitos dos casos, alias, quando se muda de bairro ou região em uma capital isto pode ocorrer também. Que o diga então entre famílias – observando diferenças no credo religioso, ideológico, …
    Sou a favor, bem como o Senador acabou por afirmar hoje, de uma educação descentralizada – onde o Governo Federal não controla, ele dá suporte – que tenha por objetivo não a preparação para o vestibular mas a formação cidadã – que varia de caso pra caso. Sou a favor do cidadão com renda o suficiente para escolher em que colégio vai colocar seu filho: seja ele público ou privado.
    E, por fim, minha decepção em relação ao Senador não foi por seu posicionamento. Pelo contrário: foi por ele não ter se posicionado frente ao meu questionamento da forma com que ele fez. Todo cidadão – inclusos aí os políticos – devem se posicionar. Os políticos, mais ainda, devem ser obrigados a fazê-lo principalmente quando nós, seus representados, questionarmos.

    Essa foi a minha decepção, resolvida agora, enfim, com as respostas recebidas.

    Obrigado pelo comentário!

    Grande abraço.

  4. Vitor,
    Sua pergunta: “em um mundo moderno como o atual, todos realmente devem estar submetidos a um único modelo pedagógico padronizado e controlado pelo Estado?”

    Realmente é um questionamento válido! Mas JAMAIS ao ponto de causar uma decepção quanto ao Senador Cristóvam!

    Lembre-se que como político, ele precisa pensar NO TODO, EM TODOS e em uma maneira viável de ATENDER A TODOS. Falar em TODO num país como o nosso, com dimensões continentais é bem difícil… Realmente, talves não seja a melhor opção um modelo pedagógico padronizado e, principalmente, controlado pelo Estado. Mas acho que nesse ponto, você se equivoca da maneira mais comum que existe, que é nossa maneira humana egóica de pensamento, do que é melhor para o MEU filho, para a MINHA vida, para o MEU futuro… E, políticos em geral, o que não é o caso do Senador, também pensam assim… no que é melhor para o próprio bolso e vida deles… porém, se formos (todos nós, eu não me excluo dessa “massa”, também tenho meu pensamento egóico) deixar de pensar dessa maneira e pensar num TODO, numa resolução para este quadro medonho e vergonhoso que, sabemos, se encontrar a educação em nosso país, o senador está apenas dando idéias e contribuindo com seu discurso.

    E aliás, se você discorda que todos devem seguir um único modelo pedagógico padronizado e controlado pelo Estado (aliás, o que talvez eu também discorde) qual seria então a sua idéia para solucionar a situação?

    Grande abraço e sugiro que você “faça as pazes” com o Senador…

  5. Novamente você está levando a conversa para um outro rumo confuso. Note que garantir educação de qualidade para todos não é privar ninguem de nada. Se liberdade de escolha é conviver com escolas ruins e aceitar que o pai e mãe paguem mensalidades desncessárias, podendo então ESCOLHER a melhor escola, você tem razão. Já eu, prefiro acreditar que liberdade é saber que todos tem direito a uma base educacional mínima que permita a pleitear uma vaga de emprego e de universidade de igual para igual e ter acesso à cultura e informação sem o peso de uma má formação.

    Até+

  6. Osmar,
    Aceito totalmente seu posicionamento e agradeço pelo comentário. Mas discordo dele.
    Se continuarmos achando que nossa liberdade de escolha é coisa para os mais exigentes, vamos entregar cada vez mais nossas vidas nas mãos do Governo/Estado.
    Será que podemos confiar tanto assim nos governantes?
    Abraços,

  7. “que a independência foi em 7 de setembro de 1922…” Realmente o governo precisa fazer alguma coisa. Nem que seja ensinar a usar o google.

  8. Fábio,

    Seu texto é fantástico e eu concordo em muito com ele quando fala da responsabilidade dos pais e com a necessidade de conteúdos básicos. Mas tenho uma posição um pouco diferente sobre esses conteúdos básicos.

    Antes de mais nada devemos pensar sobre o que é o papel da educação no Brasil. Qual o papel do ensino básico, fundamental e médio? É preparar para o vestibular? Ou para a vida? Será que no interior do Amazonas o estudante deve ter um conteúdo igual ao da capital paulista? Um não deve aprender mais sobre sua fauna local? O outro sobre o dia-a-dia da sua metrópole? Os conteúdos, na minha visão Fábio, devem preparar para a vida. Devem formar cidadãos.

    E o papel dos pais? Se restringe a educação dentro de casa? Será que eles não devem ter o direito a livre escolha do modelo pedagógico? Existem milhares de modelos de ensino-aprendizagem… Será que o Estado deve ser o detentor do poder moderador de escolha da formação de nossos filhos?

    Será que não cabe ao Estado prover educação de qualidade em paralelo a iniciativa privada, com multiplicidade de modelos, para que aos pais caiba a responsabilidade de escolher qual é o melhor para a educação de seu filho – de acordo com seus credos pessoais?

    Obrigado pelo comentário e parabéns pelo posicionamento!

    Abraços,
    João Victor

  9. Não entendi realmente a qual o seu ponto. (nem a do Senador que depois disse não ser a favor a padronização).
    Do modo como você escreve dá a impressão de que toda a educação será “Padronizada e controlada pelo Estado”, inclusive dentro de casa (“A escolha realmente deve ser do Governo e não dos pais?”).

    Mas creio que não seja essa a idéia, do governo controlar nossa vidas.
    É bom sim que o governo crie um padrão para a educação nas escolas.
    E por padrão creio que se queira estabelecer um mínimo, que poderia ser ultrapassado (para melhor).
    Nenhuma escola, pública ou privada, poderia ensinar menos que esse mínimo. Daí para mais, melhor. E de preferência que este mínimo seja bem alto, para que a vantagem não fique com quem possa pagar, discriminando quem dependa das escolas públicas.

    Ter um padrão significa ensinar o mesmo conteúdo de norte a sul do país, de leste a oeste. E creio que não se possa ser contra isso, ou se pode?

    E em casa os pais podem complementar tal educação com orientações de cunho moral (o que eu acho que anda faltando muito hoje em dia).

    Nas escolas se ensinam os conhecimentos que não se ensina em casa. Os país não têm tempo, e nem a mesma proficiência de um educador, de ensinar aos filhos a matemática, o português, a história, a geografia e as ciências. Por mais que o façam no começo da vida dos filhos e depois quando (e quando!) tomam sua lição de casa, não é papel dos pais ensinar tudo (tudo) o que se ensina nas escolas.

    Cabe a escola passar todo o conteúdo necessário para que ele tenha a mesma oportunidade que os demais de se tornar parte integrante da sociedade, e parte ativa dela.
    E para isso nada melhor que se padronize tal ensino.
    Um aluno que estuda em Manaus/AM, deve receber o mesmo conteúdo de um aluno de Floanópolis/SC ou Santa Amélia/PR, para que tenha a mesma condição de conseguir um emprego, caso tenha a oportunidade e ir para estes lugares.

    Agora, cabe aos pais dar a educação familiar, ensinar a moral e os “bons costumes”. O que é certo e o que é errado (e isso, pela vivência moral deles… e aí vai depender deles).
    Ensinar porque compram marca A e não B ou porque votam em partido C e não D. Porque acham que determinado político é corrupto ou não, e porque determinado programa de TV é ruim para eles naquele momento.
    E isso, meu caro, o governo não poderá padronizar… ainda…
    Digo ainda, porque sinto que falta esta parte familiar da educação. E não por (total) culpa do governo. Mas o Governo pode (e está) se aproveitar disto. Também digo que não é culpa total do governo, pois eles possuem parte nisso. Do jeito que o país está, os país têm cada vez menos tempo de ficaram com os filhos.

    O “Governo” (esta entidade maligna e conspiratória) não tem como baixar uma lei dizendo o que os pais podem ou não dizer aos filhos.
    Nem na época da ditadura conseguiram isso.
    Até o selo de indicação etária para a TV (tão combatida) não impede os pais de dizerem que seus filhos, apesar de menores que a idade indicada, poderão assistir a tal o qual programa. É apenas indicativa.

    O que o Governo pode e DEVE fazer é garantir que um aluno do últmo ano do ensino fundamental em Belo Horizonte/MG saiba, tanto quando um aluno de Natal/RN, calcular Baskara, o que é uma mitocondria, que a independência foi em 7 de setembro de 1922… Agora, o que fazer com isso, é DEVER dos pais. É dever dos pais, mostrar a seus filhos que devem ir à escola para aprenderem bem o que lhes ensinam para poderem escolher o ser na vida.

  10. Há um engano na sua posição pois nunca ví o senador se posicionar quanto ao modelo pedagógico, e sim quando ao modelo educacoinal. Uma coisa é garantir que há educação de qualidade para todos, outra coisa dar opções pedagógicas para pessoas mais exigentes.

    Cuidado amigo, você está se queimando. Até+

  11. Vc tá decepcionado pq ele não tá de greve de fome e vc teria q esperar 36 horas?

  12. Existe uma frase de Fernando Sabino que diz ” Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”. Você é mesmo um democrata?

  13. Victor, o governo não pode fazer escolhas diferentes para as pessoas. Todos os brasileiros são iguais perante a lei, lembra? Caberá aos pais complementarem a educação dos filhos, mas creio que nem isso eles queram fazer mais.

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