Bombando na Espanha II

(… continuação de Bombando na Espanha)

Sabendo que o nosso terminal na Espanha havia sido detonado em um ataque terrorista, o jeito era esperar. E esperamos.

Digo esperamos por que não era o único. Não em termos de passeiro, óbvio. Em termos de grupo já que, como disse, se tratava do início de um intercâmbio.

Ninguém se conhecia, salvo raríssimas excessões, o que facilitou a interação. Não haviam grupinhos, nem abertos nem fechados. O que se sabia – e todos sabíamos juntos – é que de lá iríamos para Madrid (onde algo estranho viria a acontecer, por conta do atentado) e que, após o reveillon, cada um se dirigiria com seu grupo para uma cidade diferente na Inglaterra, onde o intercâmbio de verdade teria início.

Partí, então, para a aventura do descobrimento. Queria saber quais eram os outros loucos que ao invés de selecionar às famosas Oxford, Londres e Cambridge, haviam escolhido Swanage ou a minha Canterbury.

Descobri o tal do Reinaldo. Sujeito gente boa, praticamente da minha idade, estudante de jornalismo da PUC-Rio. Ele, tão ‘aventureiro’ quanto eu, se juntou a saga de perguntar um por um pra onde iria e o que fazia da vida. Em menos de meia hora estava composta uma rodinha de conversa na sala de espera do Aeroporto. Todos sentados no chão, é claro.

Entre eles, Renato e Bia, futuros companheiros da incomum opção por Canterbury. Alias… Foi a partir daí que eu descobri como se falava Canterbury na mais pura pronuncia do inglês da Rainha (Elizabeth II, claro). “A” com som de “A” – bem aberto (!!) -, “TER” semelhante a um expressivo “T mudo” e “U” com som de “Ô!

Nesta hora percebi que meus oito anos e meio de Cultura Inglesa me ensinaram um inglês de um britânico, sim, mas que morara nos Estados Unidos pelos últimos 30 anos.

Grupo tranquilizado e avião tomado, tinha início a viagem de mais de dez horas no frio congelante que só os aviões de companias aéreas internacionais sabem fazer.

(… a ser continuado)

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Bombando na Espanha

Continuando a série de textos sobre viagens, gostaria de falar hoje da Espanha… Pra lá fui duas vezes.

A primeira em julho de 2001. 16 aninhos. Um único e singelo dia. Era verão radiaaaante em Portugal no auge de seus 23° graus (durante o dia, por que a noite caía pra 7ºC) e família resolve atravessar o tal do Rio Minho (uma espécie de Rio Paraibuna que separa Espanha e Portugal), pisar na terra da Paella, fazer compras e ver o sutaque acelerado español.

E segue o roteiro: viagem de carro, chega-se em Valencia. observa-se a arquitetura antiga mas não tão conservada quanto a de Portugal, vamos na Zara (brasileiro na Europa TEM que ir na Zara), comemos a paella (a melhor coisa da Espanha), eu descubro que Andorra não faz fronteira com Portugal (e, pelo visto, não fica nem perto), e voltamos pelo tal Rio Minho, o Paraibuna europeu.

A segunda no reveillon de 2006/07. 21 anos. Uma noite e meio dia. Estava indo para a Espanha passar a noite de ano novo, fazer um pequeno tour e, então, partir para o meu primeiro micro-intercâmbio de um mês estudando na Inglaterra.

Essa bombou! Mas bombou demais. Bombou tanto que derrubou um estacionamento recém construído de 5 andares. E o detalhe mais interessante: bombou exatamente no meu Terminal (4) no Aeroporto de Madrid.

Vocês lembram aquele atentado terrorista do ETA depois de mais de ano sem promover ações violentas? Pois é. Eu estava no Aeroporto do Galeão (Rio), esperando o voo quando misteriosamente surge um atraso de duas horas: “Pronto, é o tal do apagão aéreo. Vou passar o reveillon xingando o Lula num avião da Air France”. Naqueles tempos qualquer coisa era motivo para xingar o Lula e o apagão aéreo.

Meia hora depois vem o alívio por parte dos funcionários do aeroporto: “O problema não foi o apagão”. UFA! “Foi um atentado terrorista no Aeroporto de Madrid, Terminal 4, com mais de 100 kg de dinamite”. AHHH, agora sim eu estava tranquilo pra começar minha primeira viagem de intercambio. E o melhor: eu não viajaria nem de Air France. Era Ibéria.

(continua…)

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