Eleições 2012. O que muda?

(Publicado pelo Instituto MilleniumBem Paraná e
na edição de 08/10/2012 do Jornal do Estado)

Nada. Parece clichê, mas a verdade — e muitos pesquisadores já vêm apontando — é que o resultado eleitoral, principalmente em eleições municipais, pouco tem impactado nos rumos da administração pública.

O já falecido cientista político William Riker, professor da Universidade de Rochester, foi um dos primeiros a tratar sobre o assunto ainda na década de 60 quando lançou o livro The Theory of Political Coalitions, integrando teorias de análise econômica ao meio político, a fim de mostrar que a atitude dos agentes públicos estaria mais relacionada ao seu ganho pessoal e ao fortalecimento de seu grupo do que à linha programática de seu partido.

O estudo, tendo por base a política americana, foi desenvolvido ao redor do mundo e deu origem ao que se conhece hoje como a Teoria da Escolha Pública — que se trata de uma série de análises de números e palavras a fim de identificar a motivação da classe política ao governar.

Riker, caso nascesse no Brasil, teria um prato cheio de informações para aprofundar ainda mais sua tese. Seja no nível federal, onde o Partido dos Trabalhadores copiou integralmente o modelo econômico de seu antecessor Tucano, ou no municipal, onde os partidos só mostram suas cores e seus programas durante os poucos meses eleitorais, poucos são os políticos que realmente imprimem em seus mandatos uma marca independente e ideologizada.

O fato é que, como o eleitor já percebeu, boa parte dos agentes políticos age com base em pesquisas de opinião e em respeito aos interesses daqueles que financiarão suas futuras campanhas — ambos fatores que permanecerão os mesmos independente de quem esteja no poder.

É por este motivo que, mesmo tendo 29 partidos políticos à disposição do eleitor, temos ouvido cada vez mais a típica frase, “este ano está difícil escolher em quem votar…” — outro clichê de nosso meio político.

No entanto, nem tudo está perdido. Diferente do que acontecia nas últimas décadas, temos visto uma forte movimentação da sociedade civil, que vai desde a mobilização independente via Facebook até o lobbysmo das organizações literalmente não governamentais – aquelas sem financiamento público nem intervenção partidária.

Tais atividades vêm moldando um comportamento mais crítico do cidadão que, apesar de péssimo eleitor — por falta de vontade e de opções — tem conseguido pressionar os poderes públicos a se guiar de forma mais ética do que no passado. O reflexo é nítido e pode ser visto na busca constante pela austeridade no Governo Federal — incluindo a privatização dos aeroportos — e o uso eficiente da Cidade da Música no Rio de Janeiro — antes alvo constante de políticos de todos os grupos adversários a Cesar Maia.

Ainda que votar seja importante, estamos descobrindo cada vez mais que o “show da democracia”, como gostam de bradar políticos das mais diversas ideologias, se faz não de quatro em quatro anos durante eleições, mas todos os dias, quando o cidadão, por diversos meios, expressa sua opinião e força agentes públicos — independente de seus partidos — à se guiar pelo caminho da moralidade, da austeridade e do respeito ao indivíduo.

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De vento em popa rumo ao precipício

(Artigo publicado também pelo Instituto Liberdade)

O ano se aproxima do fim e, com tantas velhas novidades, a jovem democracia brasileira exala vícios de poder que acabam por deprimir até o mais entusiasta dos otimistas. Que a reforma política não sairá, não é mistério para ninguém. Ora, qual político no auge de seu segundo ou terceiro mandato aprovaria mudanças que colocariam em risco sua reeleição em 2014? Mas daí a piorar o que já não anda bem, é um passo danoso e absurdo que parece estar sendo dado.

A criação do PSD foi um destes passos. Reuniram políticos insatisfeitos e aspirantes à governistas em um balaio de gatos que tende a ser uma versão apócrifa do PMDB. Surgiu sem passado, se firma sem presente e não demonstra nenhum rumo para o futuro. Como descreveu seu presidente, o prefeito Gilberto Kassab (PSD-SP), “não é de centro, de direita, nem de esquerda”. No entanto, é governista em praticamente todos os estados do país e trava uma batalha sem fim por cargos em todas as esferas de poder. Ou seja: é um pré-adolescente carente querendo atenção e uma mesada maior.

Do outro lado, os partidos pré-existentes passam por uma crise interna sem tamanho, onde se perdem na escolha entre poder e ideologia. Para eles, parece ser impossível aliar ambos os fatores. Vejam o caso do PSDB: além do tradicional embate entre Minas Gerais e São Paulo, não conseguem decidir se adotarão a versão paz e amor ou se farão oposição de verdade. O caso do ministro Fernando Pimentel é apenas uma pequena amostra dos dilemas Aécio-Serristas vividos pela legenda.

Sobre o PT, não preciso nem me aprofundar. O antigo partido que pregava o calote internacional, segue à risca a cartilha do Consenso de Washington e, com a ex-comunista Dilma Roussef, aposta nas privatizações do sistema aeroportuário como solução para o desenvolvimento brasileiro. Concordo totalmente com a fórmula econômica, mas… E os seus filiados?

Filiados, aliás, que nem sempre adotam as mudanças sonhadas por seus líderes partidários. Essa foi a realidade do Democratas: desde sua re-fundação, adotou uma postura invejável em nível nacional. Defendeu a redução dos impostos, promoveu CPIs e cortou na carne quando o então governador Arruda foi acusado de corrupção. No entanto, seus senadores e deputados ainda não conseguiram contagiar prefeitos e vereadores. Em boa parte do interior de todo o país, o partido continua com o antigo vício de ser controlado por caciques e grupos familiares.

No entanto, o que mais me assusta é o comentário do ex-prefeito Cesar Maia (DEM-RJ) em seu conhecido ex-Blog onde, ao analisar a crise européia, afirma que “o orçamento é a razão histórica de ser dos parlamentos” e que estes sofrem atualmente uma crise de soberania com as restrições fiscais que a realidade econômica os impôs.

Não concordo integralmente quando o assunto é a Europa mas, se fosse direcionada para o Brasil, a afirmação seria precisa. Por aqui, mais do que partidos, o que vale é a influência do parlamentar na hora de aprovar suas emendas orçamentárias e fazê-las serem adotadas pela presidência e seus ministros. Para eles, o que dá voto não são discursos inflamados ou projetos de lei, mas recursos para leitos hospitalares, reformas em escolas e instalação de mata-burros.

Cesar Maia revelou uma triste realidade que explica claramente, entre outros, a criação do PSD, o dilema tucano, o capitalismo PTista e a ineficiência da renovação democrata. Explica ainda o fracasso da reforma política e, infelizmente, dá o tom do ano eleitoral que se iniciará em poucos dias.

Enquanto a razão de ser de nosso legislativo for a distribuição do orçamento, continuaremos a ser a democracia das velhas novidades.

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Formspring: muito mais do que uma modinha virtual

Iniciado em março de 2006, o antigo serviço direcionado para auxiliar criadores de sites acabou por se transformar em uma das maiores ‘modinhas virtuais’ da atualidade.

Tal transformação veio no final de novembro de 2009, quando assumiu o papel de rede social e, a partir do cadastro de pessoas de todos os mais variados tipos e de sua ligação com outras redes como o Twitter e o Facebook, virou um microblog de perguntas e respostas.

Seu público-alvo varia por todos os segmentos da sociedade. Tem os adolescentes, se aproveitando das perguntas anonimas para descobrir novos relacionamentos; os jovens e adultos, que vão desde assuntos mais picantes até dicas de leitura; os jornalistas, que aproveitam o espaço para emitir seus posicionamentos pessoais e relatar histórias de sua carreira; os políticos, se aproveitando da oportunidade para interagir ainda mais com seu eleitor; e, inovando, Governos, que utilizam a ferramenta visando informar a população sobre seus novos programas.

Os que eu mais leio, como já era de se esperar, são os três últimos e faço, dentro destes perfis, minhas indicações:

http://www.formspring.me/AlonFeuerwerker – O jornalista do Correio Braziliense relata fatos e posicionamentos, além de esclarecer o que escreve em seus artigos.

http://www.formspring.me/joaocarlosrocha – O jovem político católico conservador deixa claro seus posicionamentos fundamentados na doutrina cristã.

http://www.formspring.me/cesarmaia – Economista, ex-Prefeito, e futuro Senador pelo Rio de Janeiro. Não preciso falar mais nada, né?

http://www.formspring.me/governosp – Inovando, o estado governado pelo futuro presidente José Serra se lança também nesta rede social para se aproximar ainda mais da população.

E, por fim, é claro, o meu: http://www.formspring.me/GuedesVictor.

Façam boas perguntas e bom uso de suas respostas! Aproveitem!

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eDemocracy: aprendendo a ouvir digitalmente

Em palestra ministrada no III Encontro Nacional da Juventude Democratas, o blogueiro e âncora do CQC, Marcelo Tas, nos alertou para a grande vantagem que é o Twitter:

“Devemos ouvir mais do que falar. O Twitter pode ser o termômetro do sentimento popular daquilo que fazemos. Após o primeiro CQC, por exemplo, fiz questão de ler, uma por uma, todas as mensagens elaboradas com o nome do programa”. 

Andrea Matarazzo, então secretário da prefeitura paulista, já havia entendido o recado. Fora um dos primeiros gestores públicos a utilizar a ferramenta digital como um canal de troca de informações entre sua secretaria e os cidadãos interessados.

O ex-prefeito carioca Cesar Maia é outro que sempre seguiu a idéia. Famoso por seus pitacos virtuais por meio de seu Blog (transformado em ex-Blog) e agora seu novo FormSpring, o economista foi um dos primeiros a abrir as portas do palácio da prefeitura via e-mail. Lia e respondia, diariamente, todas as mensagens recebidas em seu correio pessoal.

Recentemente, o destaque tem estado com o senador goiano Demostenes Torres que passa as noites e madrugadas – além de feriados e finais de semanas – respondendo mensagens, uma a uma, pelo Twitter.

É o mundo digital se mostrando não só como uma ferramenta para agilizar todos os processos governamentais e privados mas, também, um grande canal de comunicação que aproximará cada vez mais eleitos e eleitores para fazer da coisa pública algo muito mais mundano, como nunca deveria ter deixado de ser.

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