Uma hora de desenvolvimento econômico sob a ótica liberal

(Publicado também no Instituto Millenium)

Alguns poucos meses depois de graduado, tive a honra de retornar à Universidade Federal de São João del-Rei como convidado do professor Ivis Lima e do quase economista PHD Pereira para participar de uma de suas aulas da disciplina de Desenvolvimento Socioeconômico. A missão era a de explicar para a turma do quarto período de Ciências Econômicas a ótica liberal sobre o desenvolvimento.

Como o período de uma hora e meia me limitava à resumir as principais idéias, resolvi tratar dos conceitos liberais de forma aplicada às realidades do indivíduo, da história econômica brasileira e da economia mundial.

Antes de começar, no entanto, fiz uma breve explicação – bem generalista – sobre o que representava cada uma das correntes liberais: o social-liberalismo, que prega liberdades sociais em paralelo ao intervencionismo estatal; o liberalismo clássico, que afirma não ser possível existirem liberdades individuais caso não exista a liberdade econômica plena; o neoliberalismo, uma espécie conservadora dos liberais formados pela Escola Monetarista; e o libertarianismo, derivado da Escola Austríaca de Ludwig Von Mises que coloca o Estado em uma esfera secundária ou desnecessária para a evolução da economia e do indivíduo. A minha narrativa se pautaria por um meio termo entre esta última corrente e o liberalismo clássico.

Basicamente, levantei que o embrião do liberalismo, bem como o da maioria das correntes políticas e econômicas, havia sido derivado da moral cristã. Seu primeiro autor fora Santo Agostinho a partir do livro “Livre Arbítrio” onde afirmou que, apesar da existência dos dez mandamentos, o indivíduo era livre para optar pelo que fazer. O cidadão poderia, por exemplo, cobiçar a mulher do próximo que, mesmo assim, a Igreja não poderia impedi-lo ou puni-lo. Isto caberia a Deus em seu julgamento final que o levaria para a vida eterna no Céu ou não.

Em termos de liberais, a questão era semelhante: aqueles que ferissem a moral da comunidade estariam automaticamente se excluindo, não pela reclusão promovida pelo Estado, mas pelo preconceito gerado pela sociedade. Alguns exemplos são bem simples e se aplicam ainda hoje: os conhecidos por não honrar suas dívidas não teriam mais crédito no mercado; os cidadãos não violentos evitariam o convívio com os assassinos.

Além da questão social, Santo Agostinho acabou ainda por dar o tom do que seria a teria dos libertários sobre a taxação. Afirmou que, seguindo a ótica do livre arbítrio, a bondade e a filantropia deveriam ser espontâneas uma vez que, caso impostas, perderiam seu caráter de benevolência.

A aplicação deste discurso à sociedade atual coloca os impostos como uma contradição à liberdade do indivíduo. Obriga-se, utilizando o caso brasileiro, a ceder 47% do suor do trabalhador para que o Estado faça filantropia, ao invés de permitir a cada um que escolha como melhor deve gastar – ou distribuir – seus recursos.

O resultado é trágico: de um lado, a responsabilidade individual sobre o meio dá espaço à busca infinita pela sonegação e pela contestação ao papel do Estado; do outro, a corrupção e o aparelhamento político que, independente do partido governista, geram uma maquina burocrática que acaba por fazer tal recurso valer menos de um terço daquilo que seria na mão do indivíduo.

Entender isto é fácil: para tomar o dinheiro do trabalhador, o Estado precisou construir e contratar entidades financeiras para cobrar e gerir; políticos e casas governamentais para definir normas; escolas, professores, médicos e hospitais para gastar, fiscais para tomar conta do processo; e mais uma série de profissionais intermediários que nunca teriam existido caso o dinheiro fosse gasto diretamente pelo indivíduo.

Este fenômeno fora identificado séculos depois por Thomas Hobbes em seu “Leviatã”, onde narrou o crescimento de um monstro, figura representativa do Estado, que se, sob a desculpa da segurança e ordem, tornava-se tão grande à ponto de não se poder viver sem ele.

Daí, podemos voltar mais uma vez para a ótica do indivíduo a fim de entender a raiz do problema. A sociedade, bem como qualquer organismo ou instituição, é formada por indivíduos e não por um coletivo. Quando pensamos, por exemplo, em um partido político como corrupto, estamos cometendo um equívoco: a instituição não comete atos ilícitos, quem o faz são seus filiados, de maneira individual ou pela soma do trabalho de indivíduos. O mesmo, neste caso, ocorre com o Estado que, composto por indivíduos, é incapaz de ser totalmente honesto ou, em uma suposta benevolência, é incapaz de deter o conhecimento absoluto para afirmar com propriedade quais sãos os melhores caminhos a se tomar – até mesmo na definição do que é ou não estratégico para a sociedade, já que tal decisão depende de valores individuais e varia de cidadão para cidadão.

No final, o que acabamos por criar é uma “super classe” de indivíduos que possui poderes místicos para afirmar como o dinheiro de cada cidadão deve ser gasto. É a isso que o liberalismo se opõe.

E foi isso que vimos durante o último século da economia brasileira. Tomando por base a pesquisa do nacional-desenvolvimentista Celso Furtado sobre a formação econômica do país, podemos perceber claramente que nosso desenvolvimento inicial foi orientado pelas práticas agrícolas que permitiram tanto a acumulação de capital por conta dos produtores como a formação de um mercado auxiliar criado voluntariamente para suprir as demandas das famílias residentes – incluindo uma gama de oferta que variava desde o comércio de roupas até a prestação de serviços de beleza.

Tal acumulação se deu de forma mais acelerada na região hoje ocupada pelo estado de São Paulo, por conta das condições climáticas e de solo que favoreceram a produção cafeeira – que já era a mais rentável do continente. Pouco à pouco, com a percepção de que o mercado mundial passava por uma aceleração da agregação de valores industriais, os produtores paulistas passaram a investir o acúmulo de suas receitas no desenvolvimento da agroindústria, agregando valores à sua produção e aumentando a oferta de bens e serviços para a população local. Tal processo garantiu o desenvolvimento do estado que, até hoje, se coloca como mais avançado do país.

No entanto, o problema veio na década de trinta quando um político, humano como nós, decidiu que estratégico seria endividar o país para gerar industrias para as quais não tínhamos nem maquinário, nem mão de obra, nem tradição produtiva. Getúlio Vargas, o então presidente, rasgou a cartilha de David Ricardo sobre as vantagens comparativas e instituiu o primeiro processo de substituição de importações que equipou o país com maquinário ultrapassado – pois era o máximo que era os empréstimos permitiam comprar –, endividou o país – aumentando a inflação que já era alta – e não conseguiu reduzir a dependência pelas importações.

Após alguns poucos anos, um novo presidente contraiu em cinco anos as dívidas de cinqüenta, com a finalidade de promover um segundo processo de substituição de importações e de construir uma cidade, a partir do zero, no centro geográfico do país. As conseqüências foram drásticas.

Desconsiderando o fator político de se tirar a capital do país de seu centro cultural para levá-la a uma região onde se demoraria, no mínimo, doze horas de ônibus para se promover manifestações, tracei alguns paralelos com demais países.

Levantei o caso da Rússia, super desenvolvida no entorno de Moscou e São Petersburgo que acabam por receber uma migração massiva da região leste do país – hoje sub-habitada. A proposição do presidente Medveded, hoje considerada absurda por todo o mundo, foi a mesma de Juscelino Kubitschek: construir, do zero, oito grandes cidades no leste russo.

Por outro lado, tínhamos o argumento da segurança nacional, sendo o centro geográfico do país mais seguro para a nossa capital. Seguindo esta ótica, a capital dos Estados Unidos seria no Texas e, por falta de opção, a de Portugal passaria para a França.

Tal estratégia econômica além de não desenvolver a região central do país acabou por endividar ainda mais a nação, criando mais problemas cambiais e promovendo mais um avanço inflacionário.

Durante o regime militar o cenário não foi diferente. Vimos Delfim Neto, um economista brilhante, promover políticas econômicas de toda a variedade heterodoxa ao mesmo tempo em que multiplicava o gasto público e o número de empresas estatais. O resultado foi um crescimento econômico imediato que deixou cicatrizes ainda maiores: mais endividamento, mais inflação, mais crise cambial e mais desigualdade social.

A resposta, felizmente, veio de fora: o Consenso de Washington definiu que não haveria mais crédito para estimular o endividamento infinito das economias desenvolvimentistas e que cada centavo deveria ser utilizado para garantir a estabilidade econômica. A partir daí, os “estrategistas” brasileiros teriam de buscar outra alternativa.

Na redemocratização foi o que acabou por acontecer e, por alguns poucos anos, os liberais acabaram por se ver representados. O primeiro deles, Fernando Collor de Melo, teve graves problemas com corrupção mas, antes de sofrer o impeachment, proferiu um discurso que mudou as bases econômicas do país. Ao dizer que “os carros brasileiros mais pareciam carroças”, evidenciou o problema de se pagar por um Fusca no Brasil o que se pagava por um Mercedes-Benz na Alemanha e, como solução, baixou tarifas alfandegárias e impostos para abrir a economia do país.

Seu vice, Itamar Franco, trabalhando em conjunto com o ministro Fernando Henrique Cardoso, que viria a governar o país por oito anos, deram continuidade as reformas: reduziram a máquina pública, cortaram os gastos governamentais e aumentaram a taxa de juros, promovendo uma contenção de demanda que, aliada ao avanço da oferta de bens importados, acabou por conter a inflação a partir do chamado Plano Real.

A teoria sobre a fórmula da estabilidade era simples: a inflação de demanda seria cortada por um mix entre a contenção da demanda com a expansão da oferta, ao mesmo tempo em que se reduzia o tamanho do estado dando mais espaço para que o mercado buscasse seu equilíbrio de forma autônoma. E deu certo: a inflação foi contida, a economia se estabilizou e a qualidade de vida do cidadão aumentou.

Logo após vieram Lula e Dilma que, apesar de no início manter as linhas gerais estabelecidas por FHC, acabaram por mudar estruturalmente seu modelo econômico: aumentaram o gasto governamental e, como não haviam mais empréstimos internacionais, estabeleceram duas medidas. A primeira, imprimir moeda, foi pelo gargalo, obrigando o Estado a aumentar ainda mais a carga tributária – tomando, por exemplo, o mais que recente caso da elevação do IPI para carros não produzidos integralmente no Brasil.

Sem me aprofundar na análise aos governos Lula e Dilma, uma vez que não teriam explicação diferente ao nacional-desenvolvimentismo que já vivemos, entramos na temática do IPI, que acabou por despertar a atenção de alguns presentes.

O protecionismo, além de não estimular o crescimento da industria nacional, gera uma guerra fiscal no mercado internacional e prejudica toda a economia local. A fórmula é simples: se o preço dos carros estrangeiros se elevar, por exemplo, 30%, seus concorrentes nacionais elevarão seus preços em 25% e ainda assim terão a vantagem comparativa. O palco para a inflação estará armado e, pior: a parcela de renda que poderia ser distribuída entre outros consumos acabará comprometida pela elevação do gasto com automóveis.

A má notícia, após este cenário todo, é que ocupamos hoje a 102ª posição no ranking da liberdade econômica – lançando neste mês pelo Instituto Fraser – estando atrás de países como a Rússia (pós-URSS) e o Haiti. A boa notícia, no caso, é que ainda estamos na frente de Malaui e Zimbábue.

Inserido neste cenário de massivos investimentos públicos o Brasil acabou por não sofrer a crise mundial como as economias européias. Isso é fato. Mas também é verdade que os recursos no Estado não existirão para sempre e, mais cedo ou mais tarde, entraremos em uma recessão semelhante ou pior às de Portugal, Grécia e Irlanda… Com uma infeliz diferença: somos grandes demais para sermos salvos.

O que vemos lá fora, com os aportes de recursos internacionais, é que o caminho tomado é diferente do histórico brasileiro: ao invés de gastar mais e mais, os Estados em crise estão contendo seus investimentos e dando mais espaço para o mercado, enquanto utilizam o endividamento para substituir impostos neste período de transição para uma economia liberal.

Vendo tudo isso, percebemos que Keynes fez um brilhante trabalho ao escrever sobre os benefícios do endividamento Estatal. Infelizmente, para governos e cidadãos, não terminou sua tese ensinando a pagar a dívida.

Encerrei minhas palavras dizendo que as escolas monetária e austríaca trabalham exatamente em cima disso e, para os interessados em conhecê-las melhor, sugeri três blogs: danieljmitchell.wordpress.com – em inglês, sobre a economia americana e fatos sobre o mundo –,rodrigoconstantino.blogspot.com – com análises liberais sobre a economia brasileira – e o meu, www.joaovictorguedes.com.br, com um pouco de cada.

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O AI-5 do PT

A política brasileira é confusa e na maior parte das vezes controversa mas uma hora a máscara acaba caindo. Foi o que aconteceu neste início de setembro durante o Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores.

Depois de nove anos no poder, mesclando continuísmo com trapalhadas populistas, Lula e Dilma utilizaram o final de semana para exibir José Dirceu como troféu e profetizar sobre a regulação da imprensa.

Um tema estava entrelaçado ao outro. Usaram a denúncia da revista Veja, onde acusava o ex-líder do mensalão de ter criado um governo paralelo a partir de um apartamento em hotel de luxo em Brasília, para afirmar que a “imprensa marrom” estava cometendo crimes contra a privacidade para promover um golpe no “governo do povo”. Transformaram, sem pensar duas vezes, uma grave denúncia em inquisição anti-imprensa.

Fizeram a reportagem morrer e, não satisfeitos, usaram o presidente do PT, Rui Falcão, para trazer de volta à pauta a Lei de Imprensa que, durante a campanha, foi negada aos quatro ventos pela cúpula PTista – que inclusive a deletou de seu programa presidencial ao ver a péssima repercussão da idéia.

Na resolução política do Congresso do PT, o controle sobre os veículos de comunicação é colocado como um dos “desafios do momento”, dando como “urgente abrir o debate no Congresso Nacional sobre o marco regulador da comunicação social”. Afirmam defender a liberdade de imprensa e, se utilizando da conjunção “mas”, atacam “o jornalismo marrom de certos veículos”.

Ora, essa! A gramática é clara: conjunções adversativas (“mas”) “indicam uma relação de oposição bem como de contraste ou compensação entre as unidades ligadas”. Em outras palavras, a liberdade de expressão é “questão de princípio” do PT desde que não seja utilizada para criticá-los.

Caso critiquem, tais veículos de comunicação estarão criando “um clima de imposição de uma única versão para o Brasil” e promovendo “a crescente partidarização, a parcialidade e a afronta aos fatos”.

Assim sendo, os governistas acabaram por identificar como criminosos exatamente aqueles que apontam crimes. Resolveram denunciar exatamente aqueles que eram utilizados para denunciar o regime militar. Definiram a faxina pela ética como secundária, enquanto elegeram como alvo principal a caça aos que discordam. Criaram, a partir daí, o AI-5 do PT.

Neste sentido, caso o absurdo dos absurdos aconteça e a população brasileira permita que a resolução deste congresso se transforme em um dia no AI-5 do PT, será que os governistas perseguirão também o jornalismo pró-Dilma?

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Uma ‘homenagem’ nada positiva ao deputado @ReginaldoLopes

Conheci de perto a história do deputado federal Reginaldo Lopes. Passei pelo curso de Ciências Econômicas da UFSJ onde ele se graduou alguns poucos anos antes de minha entrada na universidade.

Fui diretor do Centro Acadêmico onde ele começou sua vida política. Fui diretor do Diretório Central de Estudantes onde ele fez fama na faculdade e em São João del-Rei.

Em 2008, compus mesa de debates com o deputado, já presidente do PT-MG, e troquei ideias sobre os avanços de nossa universidade e da economia de nosso estado. Apesar do partido, respeitava o ex-militante estudantil Reginaldo.

Durante estas eleições, infelizmente, o respeito caiu. Vi o ex-militante fazer uma campanha suja que culminou em sua prisão por boca de urna no dia 3 de outubro.

No segundo turno, suas passagens no Twitter continuaram sujas e infelizes. A campanha por Dilma ganhou tom de desespero e as mensagens virtuais do deputado Lopes não representavam em nada o ex-militante Reginaldo. Hoje a máscara caiu de vez.

A partir de agora, paro de comentar e apenas deixo as mensagens que trocamos para que cada um faça sua própria avaliação:

@VictorGuedes: Olha o presidente do PT-MG twittando… Vai ser preso no segundo turno também, @ReginaldoLopes? Ou a lição do primeiro já foi suficiente?

@ReginaldoLopes: para o bem do Brasil, qtas vezes for necessário!!!

@VictorGuedes: Vai transgredir a lei quantas vezes for preciso, deputado?

@VictorGuedes: O exemplo do PT é esse: Lula, um presidente que não lê; Dilma, uma candidata vira folha; e @ReginaldoLopes, um deputado transgressor.

@ReginaldoLopes: vc é igual o serra é do DEM, é melhor ficar calado!!!

@VictorGuedes: Nem se o teu partideco implantar a censura, meu caro.

@VictorGuedes: Te cuida, @ReginaldoLopes! Vamos eleger #Serra45 presidente do Brasil e vocês, sem a maquina estatal, começarão a ser desmascarados um a um.

@ReginaldoLopes: vcs são mentirosos e hipócritas, não tem compromisso com a verdade!!! A minha história é verdadeira!!! Serramilcaras nunca!!!

@VictorGuedes: Mil caras é quem vira cristão do dia pra noite, @ReginaldoLopes. Mil caras é quem diz defender a lei sendo preso por transgredí-la.

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Um bocão nada Royal… Vote #Serra45!

O excesso de fatos na campanha presidencial é alarmante. Os debates, não se pode negar, são acalorados desde sempre. Mas o cenário atual chega a ultrapassar a barreira do exagero.

O Governo Lula, na sua constante ‘inocência’ penosa, nega tudo. Joga a culpa na oposição por criar factóide atrás de factóide.

Com o número absurdo de crises quase que diárias, é possível acreditar nessa tese. Mas será que é só isso?

O antigo mensalão, a quebra dos sigilos bancários, o mensalão, a Erenice, a legalização do aborto, a coordenação da campanha entregue ao ex-adversário Ciro Gomes… O dificil, neste caso, não é nem ser tão corrupto. É ter a criatividade que a oposição deveria ter para ‘inventar’ tudo isso.

E o que é pior: comprovar tudo, uma a uma.

Ou o Governo está sofrendo a maior ofensiva de calúnias que já existiu ou ‘nunca na história deste país’ um governo cometeu tantos atos de corrupção como o atual.

Nos resta crer na justiça, fazer a nossa parte na campanha, rezar pela consciência cidadã e nos divertir com as sátiras (que também não são poucas).

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Ciro Gomes: o Profeta do Apocalípse

O Montenegro, presidente do IBOPE, “vende até a mãe” e “instituto de pesquisa sério, fora o Datafolha, não existe”.

No cenário político brasileiro as avaliações não são muito diferentes. O Serra, pré-candidato tucano a presidência, “sabotou o Real e o FHC” além de ter uma “personalidade autoritária e tenebrosa“.

Do outro lado vem a Dilma, pré do PT, que não tem experiência em eleições: “daí acontece isso de que a cada atitude cometida equivocadamente” gera uma visita a televisão para “se explicar e voltar vários passos”.

Temer, PMDBista cotado para vice de Dilma, é o pior deles. É o chefe do “ajuntamento de assaltantes” que é a cúpula do seu partido.

E assim segue Ciro Gomes, exgovernador, ex-deputado federal, ex-candidato a presidência, ex-político levado a sério e mais novo Roberto Jefferson cearense ou, no caso de estar realmente certo, o grande profeta do apocalípse eleitoral brasileiro.

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Dilma é recebida com manifestação em São João del-Rei

A visita da ex-ministra Dilma Rousseff a São João del-Rei foi marcada pela manifestação dos estudantes da Universidade Federal de São João del-Rei que, organizados pela Juventude Democratas, promoveram um ato contra a campanha antecipada que, segundo a legislação atual, configura crime eleitoral.

Mesmo tendo deixado o cargo na última semana, a pré-candidata a presidência foi anunciada no site da universidade pública por meio de um texto promocional que descrevia toda a sua trajetória política mas não explicitava o tema da palestra. Tal motivo causou indignação entre estudantes do Democratas – partido de oposição ao Governo Lula – e os independentes – sem filiação partidária.


Durante o ato, foi aberto um cartaz com os dizeres “Dilma emPACada, UFSJ aparelhada – Campanha antes da hora é crime!” que era acompanhado de um panfleto que manifestava a indignação dos estudantes pela cumplicidade da reitoria da universidade que, mesmo conhecedora de todo o cenário eleitoral, ajudava a promover todo este circo eleitoral.

O presidente da Juventude Democratas de Minas Gerais João Victor Guedes, estudante de economia da UFSJ, questionava: “Somos contra a Dilma por seu projeto de governo ligado ao PT, mas a questão não é nem essa: estão aqui, com o dinheiro da nossa universidade, promovendo uma candidata. Cadê o respeito ao estudante e ao cidadão brasileiro?”.

A palestra da Dilma, por fim, não teve tema específico. Foi direcionada a enaltecer os feitos do Governo Lula e a prometer novas ações caso ela seja eleita.

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Era uma vez Lula, a fábula do Brasil

Em artigo iniciado com o tradicional “Once upon a time” (“Era uma vez“) dos contos de fadas, o artigo “Lula, sanitised” (“Lula, higienizado“) da versão impressa do “The Economist” de ontem, 21, relata a fábula (“tale“) cinematográfica que tenta transformar o presidente brasileiro em mito com o financiamento de grandes empresários ligados ao Governo Federal (como afirma ao citar matéria da revista Veja ainda em sua pré-estréia.).

Cita, para justificar seu início, a forma com que o filme retrata Lula como “um estudante perfeito, um marido perfeito e um político moderado que abomina a violência” ao mesmo tempo em que corta cenas de seu livro-fonte como a do assassinato de um empresário em meio à greve de seu sindicato.

No entanto, esta tentativa frequente de transformá-lo em mito por meio de golpes midiáticos não é novidade para nós, brasileiros.

Um exemplo atual disto foi o discurso de ontem, quando Lula chamou o presidente tucano, Sérgio Guerra, de babaca de fronte a seus ministros em contraposição à sua fala de hoje para a população de Itapira (SP) quando se fez de amigo do governador, também tucano, José Serra.

São por essas e outras que a população brasileira, atenta, já percebeu o que é jogada de marketing e o que é verdade. Isso justifica o fracasso de público do filme de Lula, justifica o fracasso da “mineirização” de Dilma e justificará o fracasso eleitoral do PT em outubro.

A mídia internacional, no entanto, só está começando a perceber agora mas, mesmo assim, ainda há tempo para que se responda o que perguntou o portal latino HACER sobre o nosso presidente: “Lula ¿Cristo o Castro?

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Quando o Governo baixa o nível

Partido dos Trabalhadores começa a dar claras mostras de que sua ridícula situação nas pesquisas da sucessão presidencial estão afetando o humor de sua cúpula nacional.

Mesmo clamando no papel por uma campanha de alto nível, lançaram nota hoje pela manha em seu site chamando o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, de jagunço do governador paulista José Serra – que, por sua vez, tivera seus atos considerados como pura hipocrisia.

O presidente Lula, não satisfeito, proferiu mais algumas palavras no início da tarde em reunião ministerial, como narrou Lauro Jardim por meio do Radar On-line da revista Veja.

De fronte a 40 ministros, sabendo que o conteúdo da reunião iria para a mídia, Lula reafirmou temer que a campanha fosse de “baixo nível” e chamou o senador Sérgio Guerra de babaca.

O presidente tucano, entrevistado logo após o incidente, foi direto ao afirmar que “o presidente é conhecido por não controlar seu vocabulário e pela enorme capacidade de não refletir sobre o que diz. O melhor que ele tem a fazer é respeitar a lei e parar com a campanha antecipada”, em clara referencia a representação aberta pelo Democratas, PSDB e PPS contra o presidente e sua candidata, Dilma Roussef.

O teor da representação, como apresenta o blog do líder democrata no senado, José Agripino, é pesado:

“A única conclusão a que se pode chegar é a de que, mais uma vez, o Presidente da República estava fazendo comício em prol da candidata (…) foi mais uma explícita propaganda em favor da representada Dilma Roussef, ao afirmar que a principal razão da viagem não era outra senão a de divulgar o nome daqueles que, sob sua visão de mundo, ajudaram a fazer as coisas neste país”.

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Quando discordar ou concordar com @AlonFeuerwerker

Acabei de ler o primeiro texto do ano do Blog do Alon Feuerwerker (Correio Braziliense) e considerei bem interessante sua análise sobre quais serão os temas debatidos na campanha presidencial deste ano que se inicia.

Alias, concordei com a análise do cenário, não com a conclusão opinativa dada sobre o que será necessário ou não para colocar o Brasil no rumo certo.

Digo isso porque achei fantástica a previsão de que a ministra Dilma colocará como ponto máximo a eficiência pública com as propostas para a Reforma do Estado enquanto o governador Serra focará nos gastos e investimentos públicos com obras de infra-estrutura e do tripé saúde-educação-segurança.

Por outro lado, como bem afirmei, discordo quando ele traça um comparativo entre a estagnação européia e o desenvolvimento chinês e sugere umas “pinceladas chinesas no modelo brasileiro”, ou seja, a proposta de Dilma.

Reformar o Estado todos nós sabemos que é necessário mas será que é para tender ao comunismo chinês? O desenvolvimento por lá anda a galopes, é verdade. Mas é embasado pelo autoritarismo governamental, pela dominância do Estado sobre as ações do indivíduo, por um alto índice de corrupção e por um ditador que não tem medo de manipular dados para se beneficiar do mercado internacional enquanto explora seu povo, sob os pretextos da já citada neste blog “Revolução dos Bichos” de George Orwell.

Prefiro o modelo europeu de eficiência onde o crescimento é pequeno mas responsável e visível aos olhos de todos, não cria bolhas financeiras e não deixa sequelas em sua população.

É por isso que em outubro votarei no Serra para a presidência do país.

Atualização: Recebi mensagem do Alon Feuerwerker, jornalista pelo qual tenho enorme admiração e respeito, pedindo que deixasse claro aqui que quando tratou das “pinceladas chinesas” se referiu unicamente à questão econômica, não à política.

Minha leitura também foi neste sentido e peço desculpas caso não tenha ficado claro. A questão é que ainda assim considero muito delicado adotar qualquer que seja o exemplo chinês pelos mesmos motivos descritos em meu breve texto. O autoritarismo também residente em sua economia é preocupante porque dá ao Governo um poder de deliberação grande o suficiente para afetar as liberdades individuais de cada cidadão.

Isso gera, na minha visão, o autoritarismo político.

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COP15: Conturbado lá e aqui.

A organização do COP15 – o ‘fórum mundial ambiental’ – tem sido conturbada. Repleta de divergências e desacordos de quem fala literalmente línguas diferentes e não consegue se entender. Boa parte, alias, não pretende se entender.

A delegação brasileira, seguindo a tendência mundial, se guia internamente na mesma direção, totalmente conflituosa. Seja isso por excesso de egos ou por pura incompetência.

No resumo da ópera, Dilma quer aparecer mais que todos e não deixa que  Minc – o ministro do meio ambiente – tenha voz. Quando teve, alias, Dilma afirmou que não tinha ‘nada a ver‘.

Ainda ela, a Dilma, com todo o seu conhecimento sobre o tema, afirmou em palestra para governantes e ambientalistas que “o meio ambiente é um obstáculo ao desenvolvimento sustentável“. Bem como os governistas o são para um bom governo, Ministra?

Marina Silva, pré-candidata a presidência pelo Partido Verde que participa como penetra sem direito a voz nem voto, deu a idéia de que o Brasil investisse R$1 bilhão na causa ambiental mundial. Dilma, sempre ela, respondeu dizendo que um investimento ‘pequeno’ seria na ordem de R$150 bilhões.

Falam nestas cifras como se estivesse sobrando dinheiro no Brasil. Como se não tivéssemos problemas econômicos e como se uma contribuição deste peso para o COP15 vá resolver os problemas ambientais brasileiros.

Se esquecem que o tão falado pré-sal é altamente poluente. Se esquecem que esta nova energia, ‘salvadora da pátria’, tem feito com que o Governo deixe os biocombustíveis de lado. Se esquecem do projeto de transposição do Rio São Francisco, do maquinário sujo e antiquado de nossas fábricas, da falta de saneamento básico e de todos os demais problemas, aqui da nossa casa, que não recebem nem um décimo desse valor.

Alias, se esquecem ainda de fazer uma importante pergunta: quem está financiando a viagem eleitoreira da Marina Silva? Tomara que não sejam os cofres públicos. Tomara…

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