Uma ‘homenagem’ nada positiva ao deputado @ReginaldoLopes

Conheci de perto a história do deputado federal Reginaldo Lopes. Passei pelo curso de Ciências Econômicas da UFSJ onde ele se graduou alguns poucos anos antes de minha entrada na universidade.

Fui diretor do Centro Acadêmico onde ele começou sua vida política. Fui diretor do Diretório Central de Estudantes onde ele fez fama na faculdade e em São João del-Rei.

Em 2008, compus mesa de debates com o deputado, já presidente do PT-MG, e troquei ideias sobre os avanços de nossa universidade e da economia de nosso estado. Apesar do partido, respeitava o ex-militante estudantil Reginaldo.

Durante estas eleições, infelizmente, o respeito caiu. Vi o ex-militante fazer uma campanha suja que culminou em sua prisão por boca de urna no dia 3 de outubro.

No segundo turno, suas passagens no Twitter continuaram sujas e infelizes. A campanha por Dilma ganhou tom de desespero e as mensagens virtuais do deputado Lopes não representavam em nada o ex-militante Reginaldo. Hoje a máscara caiu de vez.

A partir de agora, paro de comentar e apenas deixo as mensagens que trocamos para que cada um faça sua própria avaliação:

@VictorGuedes: Olha o presidente do PT-MG twittando… Vai ser preso no segundo turno também, @ReginaldoLopes? Ou a lição do primeiro já foi suficiente?

@ReginaldoLopes: para o bem do Brasil, qtas vezes for necessário!!!

@VictorGuedes: Vai transgredir a lei quantas vezes for preciso, deputado?

@VictorGuedes: O exemplo do PT é esse: Lula, um presidente que não lê; Dilma, uma candidata vira folha; e @ReginaldoLopes, um deputado transgressor.

@ReginaldoLopes: vc é igual o serra é do DEM, é melhor ficar calado!!!

@VictorGuedes: Nem se o teu partideco implantar a censura, meu caro.

@VictorGuedes: Te cuida, @ReginaldoLopes! Vamos eleger #Serra45 presidente do Brasil e vocês, sem a maquina estatal, começarão a ser desmascarados um a um.

@ReginaldoLopes: vcs são mentirosos e hipócritas, não tem compromisso com a verdade!!! A minha história é verdadeira!!! Serramilcaras nunca!!!

@VictorGuedes: Mil caras é quem vira cristão do dia pra noite, @ReginaldoLopes. Mil caras é quem diz defender a lei sendo preso por transgredí-la.

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Palavras sob a mordaça da academia

Remeti o artigo “Disparidades regionais e concentração produtiva: possíveis políticas de desconcentração de renda para solucionar a herança do desenvolvimentismo intervencionista brasileiro” para a Revista Três Pontos, publicação científica da FAFICH-UFMG para estudantes de graduação.

No artigo, aprovado com bom grau como trabalho de conclusão de disciplina na UFSJ, descrevo, sob o ponto de vista liberal, a evolução da economia brasileira e, me utilizando de pesquisadores das mais variadas linhas da acadêmia, indico sugestões pautadas nas liberdades econômica e civil.

Por apresentar as falhas do modelo desenvolvimentista, linha favorita da revista, já esperava críticas. A resposta, no entanto, me surpreendeu.

Começaram a resposta afirmando que o artigo “não está bem redigido” e se “apresenta de modo incompleto e truncado“. Ok, aceito a crítica. Devo escrever mal… E continua, indicando que ele “não focaliza corretamente o tema das transformações estruturais da economia brasileira no século XX“. Bom… Qual seria o foco correto então? A tal verdade absoluta sobre a economia brasileira…? As ciências sociais viraram, a partir daí, uma exata. Me senti escrevendo para uma revista científica de engenharia.

O professor parecerista afirma ainda que o tema continua sendo foco dos trabalhos de diversos pesquisadores brasileiros. Concordo totalmente. Por isso o escolhi, né? Mas eles estão “engajados na reflexão sobre os efeitos sociais e econômicos perversos do capitalismo nacional“. Hein? Pois é… E nisso, o problema é que, segundo ele, “o autor do artigo [eu] não soube apresentar bem o debate sobre a lógica e as consequências do modelo nacional-desenvolvimentista que serviu de referência para a modernização do Brasil no século XX“.

Vamos ver se eu entendi. Eu não soube “apresentar bem o debate sobre (…) o modelo nacional desenvolvimentista” por que não estou alinhado com os pesquisadores dos “efeitos sociais e econômicos perversos do capitalismo“. Er… Em um debate costuma-se ter posicionamentos adversos, não?

Bom, continuando… Meu artigo revelou meu “conhecimento limitado e precário da história do Brasil“. E aí, professores da Economia da UFSJ? Acho que a culpa é de vocês que me aprovaram. Pelo menos não é de todo mal: ele assume que eu me utilizei de “autores cuja contribuição para este conhecimento é essencial [contraditório, não?], como é o caso de Celso Furtado e Wilson Cano [dois desenvolvimentistas]”. Ou seja, apesar da graduação quase completa eu não sei nada de economia brasileira mesmo tendo elaborado uma crítica ao modelo desenvolvimentista citando, inclusive, dois dos seus maiores autores. Entendi…

Por fim, o parecer “não recomenda sua publicação” afirmando que o artigo “não sistematiza bem as análises” nem “acrescenta elementos novos para o estudo (…) do capitalismo brasileiro“.

Uma salva de palmas à Revista Três Pontos e ao professor parecerista.

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Reformismo liberal: a única saída para o campo

Este artigo foi publicado nos sites da Red Liberal de América Latina, do Instituto Millenium e da Juventude Democratas.

Visitei nas últimas semanas uma série de pequenos municípios movidos pela economia cafeeira e, neles, acompanhei na prática tudo aquilo que pesquisei durante a construção minha monografia de graduação em 2008, na qual tratei sobre o orçamento federal para a agricultura.

Nesta caminhada tenho visto, principalmente, que por mais que o Governo promova mais e mais investimentos para o setor, eles nunca serão suficientes para sanar as imperfeições mercadológicas no campo. A realidade atual do interior de Minas Gerais chegou nesta situação devido a três grandes fatores: a herança maldita do desenvolvimentismo brasileiro, a concorrência internacional altamente deturpada pelos subsídios externos e a falta de uma política séria voltada para a formação técnica do pequeno produtor.

A herança histórica, iniciando a análise já no século passado para evitar me alongar demais neste único ponto, é o primeiro e grande fator para a construção do cenário atual não só pelo grande intervencionismo estatal exercido pela maior parte dos governos da história recente do país mas também pelo péssimo planejamento – se é que existiu algum – elaborado pelos governantes.

Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek são dois grandes exemplos deste erro: motivados por um desenvolvimento que era visto muito mais como objetivo do que como meio, geraram déficits absurdos ao investir massivamente em setores escolhidos com base nas demandas populacionais e não em nossas vantagens comparativas.

Geraram, com isso, distorções mercadológicas que originaram uma série de empresas que apenas viriam a se sustentar as custas do subsídio governamental e, ainda pior, acabaram por quebrar todos os demais setores afogados em meio à crescente carga tributária e ao avanço inflacionário – mecanismos fundamentais para promover as políticas desenvolvimentistas.

Com este cenário histórico atingimos os dias atuais onde o Brasil, agente passivo do comércio internacional de grande porte, é fortemente movido por uma economia agrícola endividada que convive, em paralelo,coma uma pseudo-industrialização sustentada pelo Governo.

Embora os esforços governamentais tenham sido sempre orientados para os demais setores, a balança comercial brasileira é forte dependente do campo e seus agregados que, devido a herança histórica supracitada, sofrem pelas distorções causadas pelo falho intervencionismo estatal.

O problema, no entanto, é que acabamos por competir com países que tiveram sua evolução econômica orientada pela defesa do produtor rural e, até hoje, subsidiam fortemente o setor. Tal política de defesa da produção interna, como bem sabemos pela história brasileira, é danosa por criar uma bolha de ineficiência no longo prazo mas, no curto, acaba por gerar uma imperfeição comercial que fortalece o setor no cenário internacional, prejudicando os produtores dos demais países – como o Brasil – que possuiriam vantagens comparativas em um cenário de perfeita concorrência.

Podemos perceber que a economia agrícola brasileira, prejudicada pelas escolhas dos governantes do último século, sofre ainda as imperfeições mercadológicas do comércio internacional que tem gerado uma bolha ainda maior sobre o setor.

No geral faltou ao Brasil, e hoje falta ao mercado internacional, uma dose clássica de David Ricardo atrelada aos ensinamentos não tão recentes, embora modernos, do economista Roberto Campos que defendeu, durante as evoluções desenvolvimentistas do último século, um comprometimento maior com a liberdade econômica e com a agregação de valores aos setores produtivos já desenvolvidos do país.

A resposta a ser dada pelos atuais governantes passa não só pelo reformismo do Estado ou por novas negociações em rodadas semelhantes a de Doha, organizada pela Organização Internacional do Comércio, mas também pelo investimento na formação técnica do pequeno produtor.

Tal necessidade vem para sanar não só a defasagem comercial atual mas, principalmente, para evitar o êxodo rural cada vez mais constante entre os jovens que, antenados para as péssimas condições do setor, acabam por tentar a vida nas metrópoles.

Indico, por fim, que uma das saídas para alavancar a formação do pequeno produtor e evitar o êxodo rural seria a descentralização do controle sobre a educação, permitindo que escolas de ensino fundamental e médio foquem seus esforços nos conhecimentos necessários – e demandados – para a realidades locais ao invés de apresentar um modelo pré-fabricado que é dado tanto nos polos industriais como nas zonas rurais e que acaba por estimular, de forma inconsequente, a urbanização como única saída.

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Aquecimento Global. Um mito (?) com soluções perigosas

Em extenso artigo acadêmico publicado nas vésperas do COP15, realizado neste momento, La Coalición de la Sociedad Civil sobre Cambio Climático lança notas alarmantes sobre o aquecimento global exatamente na direção contrária da que é seguida pela maior parte dos governantes mudiais.

La Coalición, formada por 50 organizações não governamentais de toda parte do mundo, levanta dados que colocam em choque, por exemplo, os resultados do Protocolo de Kyoto que, segundo eles, faria um retrocesso de apenas 6 anos caso adotado fielmente até 2100.

Tal resultado, no caso, seria desastroso não só do ponto de vista econômico – por conta dos altos investimentos – mas também para o planeta que, segundo ambientalistas, chegaria em um momento irreversível neste século caso não mudasse suas políticas.

Em outros termos, acabaríamos com ou sem Kyoto.

O trabalho avança mais: afirma que os riscos para o planeta não se resumem ao aquecimento global. Incluem a pobreza, um possível choque com asteróides ou a erupção de um grande vulcão (citando artigo da NASA). Assim sendo, gastando todos os esforços do planeta em apenas uma catástrofe, questiona qual seria nosso potencial de resposta para as demais.

Destas, desenvolve ainda mais a temática da pobreza na qual lança a tese: energias limpas são mais caras e tendem a onerar os custos produtivos, elevando preços e reduzindo salários. Isto reduziria o consumo, a qualidade de vida e o potencial empreendedor o que geraria, por conseguinte, massivo desemprego em um cenário pré-existente de algo gasto governamental. Ou seja, pobreza e insuficiência de recursos governamentais.

Cenário, por conta deles, tão irreversível quanto o aquecimento global pode se tornar.

O artigo está disponível em espanhol no site do Instituto de Libre Empresa, do Peru, e é assinado no Brasil pelo Instituto Liberdade.

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