O fim do dever de casa

(Publicado pelo Jornal do Commércio, Últimas NotíciasO Norte de Minas e Gazeta de São João del-Rei)

Já não é de hoje que sinto calafrios ao ouvir falar da política econômica francesa. O que poderia ser apenas um trauma de infância ou uma raiva reprimida desde que paguei quinze euros em um queijo quente na cafeteria do Louvre, no entanto, se mostra cada vez mais como um sentimento racional e embasado, se não cientificamente, pelo menos nas manchetes dos jornais que fazem a cobertura daquele país.

Ao que parece, tenho uma visão que em muito de aproxima à do economista Philipp Bagus que em 2010 lançou o livro “A Tragédia do Euro”, publicado em quatorze línguas, onde analisa como a moeda única, desenhada e liderada por franceses, conseguiu quebrar o continente mais rico do planeta, fazendo com que fossem à falência bancos antes considerados os mais seguros do mundo.

Entre os motivos, sugere que desde Napoleão Bonaparte, o paternalismo estatal francês é tamanho que não há limites que separem a ação do Estado às liberdades individuais do cidadão – seja ele de qual classe for. Daniel Mitchell, economista do Cato Institute, ironizou a situação atual dizendo estarmos, sem sombras de dúvidas, no apocalipse, uma vez que até a burguesia francesa – tradicionalmente tão estatista quanto os sindicalistas – começara a reclamar do tamanho excessivo atingido pelo governo.

O mestre disso tudo é o sucessor de Nicolas Sarkozy, o atual presidente François Hollande, autor do novo imposto que pretende taxar ricos em 75% (sim, 75%!) de seus ganhos. Aliás, vale abrir um parênteses sobre este caso: logo após anunciar a medida, monsieur Hollande viu Bernard Arnault – homem mais rico da França, atual dono de marcas como Christian Dior e Louis Vuitton – solicitar a cidadania belga, o que o permitiria se negar ao pagamento do imposto francês passando a pagá-lo, de forma infimamente menor, na vizinha Bélgica.

Não bastasse isso, o presidente socialista decidiu inovar no meio educacional. Apontando para a problemática social onde, segundo ele, crianças ricas tendem a se desenvolver mais por contarem com a ajuda dos pais, enquanto crianças pobres não têm a quem recorrer por seus pais não serem educados, decidiu que a melhor solução para promover a igualdade social seria banir o dever de casa.

Confesso que, mesmo se tratando da França, fiquei meio perplexo quando tomei conhecimento sobre a notícia. Ainda assim, conhecendo bem o histórico do governismo napoleônico, me preparei para o pior. E ele chegou!

Com uma breve pesquisa sobre o assunto, descobri que a medida faz parte de uma ofensiva do Partido Socialista para tentar equiparar a educação de seu país com a dos igualmente industrializados – que vem apresentando índices mais elevados nos últimos anos. Pelo que afirmam os partidários de Hollande, a idéia é fazer com que os ensinos médio e fundamental se tornem mais atrativos para as crianças, ajudando-as a melhorar seus níveis de leitura e conhecimentos científicos.

Sabendo que a proposta faz parte de um plano que almeja impactos ainda maiores na educação, tenho certo pavor de imaginar quais seriam os demais pilares a serem levantados pelo Ministério da Educação de lá.

São essas e outras que me fazem crer que nem tudo está perdido por aqui. Apesar das bizarrices do mundo político, a linha de ação de nossos governantes ainda se limita a velha e costumeira corrupção ortodoxa, sem muita criatividade ou força de vontade para fazer diferente.

Seja isso uma crítica ou elogio, o bom é que, de certo, pelo menos por aqui nossos filhos continuarão a trazer seus deveres para casa.

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Paradoxo Internacional: Quem é o Brasil?

Seguindo na prática aquilo que abordei no inicio de minha última postagem, pedi no Twitter por sugestões de temas para a próxima pauta deste blog. A mais fantástica delas, na minha opinião, veio do @SlSnake:

Imagem do Brasil no exterior. Se quiser um help, só falar. Gosto do tema.

Minha motivação veio na hora por dois motivos: primeiro por já ter tido algumas experiências bem enriquecedoras no exterior e, segundo, por ter debatido ontem mesmo sobre a imagem política do Brasil no primeiro mundo.

Tentarei ainda, em breves palavras, fazer algo novo neste Blog: um tema compartilhado. Darei algumas breves opiniões e peço, aqui e agora, para que o Professor Sérgio Jr. (@SlSnake) complemente com sua visão em postagem em seu Blog.

Voltando ao tema, o que aprendi principalmente nos Estados Unidos foi que oportunidades existem para quem quer crescer na vida, desde que você tenha em mente onde quer chegar e que para isso não meça nem esforços profissionais nem horas de sono.

Brasileiros por lá são mestres nisso. Têm fama de serem os imigrantes mais trabalhadores da América Latina e conquistam com isso boas oportunidades de empregos braçais e de crescimento profissional – quando já portando o Green Card.

O problema, no entanto, reside exatamente nos demais latinos: sem distinguir país A ou B, têm fama de serem mais egoístas, relaxados e irresponsáveis, o que por muitas das vezes acaba fechando portas para os brasileiros. Isso se reflete ainda mais na Europa onde o grande número de imigrantes de todas as partes do mundo faz com que brasileiros e demais latinos sejam colocados no mesmo patamar.

Ainda assim somos um povo querido. Temos grandes figuras carismáticas principalmente no mundo da bola e, principalmente agora, na política onde após o bem visto Fernando Henrique Cardoso, Lula passa a ser reconhecido como liderança carismática por todos os lugares onde passa.

É exatamente neste quesito, alias, que se cria um paradoxo internacional. Se nós, cidadãos, com formação cultural e histórica somos colocados em geral no mesmo balaio de gatos dos demais hermanos… Como o Lula, diretamente alinhado com os vizinhos Fidel, Evo e Chavez, conseguiu até hoje se diferenciar tanto dos demais latinos na política internacional?

Essa é a pergunta que deixo como sugestão para o Professor Sérgio Jr. responder em um possível próximo post de seu Blog ao qual pretendo, caso tudo dê certo, responder de volta em breve.

Espero que gostem da novidade – e que o professor concorde, é claro!

😉

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