A vez do mercado

(Publicado também pelo Instituto Millenium)

A teoria econômica mostra, e a história latino americana comprova, que quanto maior é o tamanho do Estado, maiores são a corrupção, o abuso de poder, os impostos e a ineficiência dos serviços básicos prestados à população – como a tríade clichê de educação, saúde e segurança.

Foi o caso de Cuba, onde a ciência avançava na medicina enquanto pobreza e falta de direitos humanos se tornavam a constante da ilha; é o dia-a-dia da Venezuela onde, embora inundada por mais e mais petrodólares, a população passa fome e tem acesso restrito à informação; acontece na Bolívia, onde o caricato presidente Evo Morales afunda seu país em crises consecutivas; e foi a realidade do Brasil militar onde, após o milagre econômico, a crise só teve fim no início das privatizações – hoje adotadas até mesmo pelo governo de esquerda da presidente Dilma.

Percebeu-se que o governo deve fazer política, deliberando a gestão de serviços – em concorrência, claro – para aquele que existe exclusivamente para suprir as demandas do mercado: o setor privado.

A Prefeitura de Belo Horizonte entendeu o recado e, como retrata matéria publicada no jornal Estado de Minas, começou a fazer o dever de casa.

Prometeu lançar parcerias público-privadas – as famosas PPPs – para construir e gerir escolas de educação infantil e postos de saúde no município. A iniciativa faz parte de um processo de renovação da administração pública que teve início em parceria firmada para desenvolver o Hospital do Barreiro – hoje em construção.

A intenção do novo projeto é que, mediante um investimento público a ser determinado, empresas privadas participariam de uma licitação onde as vencedoras seriam responsáveis pela construção e manutenção dos estabelecimentos, cedendo o empreendimento ao governo da capital mineira após 20 anos de gestão.

Com o avanço do projeto, o prefeito Márcio Lacerda, do dito socialista PSB, mostra que eficiência pública não tem partido e que, após as experiências fracassadas do populismo latino, chegou à hora de acreditar na teoria liberal da iniciativa privada, dando vez ao mercado e à concorrência.

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Sem pai nem mãe, rumo à 2010

O Partido dos Trabalhadores conseguiu atingir um cenário tão complicado que não se pode confiar nem em seu processo eleitoral interno. E isso não é golpismo da oposição ou factóide inventado pela mídia golpista, como eles gostam de falar.

Partiu de Gleber Naime, candidato a presidência ao PT-MG, que, alinhado ao pré-candidato ao Governo do Estado Patrus Ananias, não é crédulo da lisura do processo eleitoral que indica tendência a vitória do deputado federal Reginaldo Lopes.

O processo, segundo Naime, “foi marcado em Minas por centenas de ocorrências policiais”.

Pelo outro lado corre o atual presidente, deputado Reginaldo Lopes. Figura conhecida aqui pelas terras de São João del-Rei, nasceu em Bonsucesso e veio para cá estudar.

Formou-se, como meu (bem) antigo veterano, em Ciências Econômicas. Esteve, como eu, no DCE da UFSJ (a federal local, criada por influência de Aécio) e no Centro Acadêmico de nosso curso. Cheguei, inclusive, a compor mesa com ele em 2007 no encerramento da X Semana de Economia da UFSJ onde trocamos elogios – no tocante aos recursos direcionados para a universidade – e farpas – no tocante a visão sobre democracia.

É gente boa. Tem seus defeitos, é óbvio, mas é gente boa. Bem articulado e consegue conversar com todos os partidos, já tendo se aliado (e brigado posteriormente) com militantes da UJS/PCdoB e promovido composição que elegeu um prefeito do PSDB com vice do PT.

Fez tudo isso curiosamente na cidade do tucano Aécio, amigo de Fernando Pimentel – candidato de Reginaldo Lopes ao Governo do Estado – que se juntou ao PT, desta turma, para eleger Marcio Lacerda (PSB) para a Prefeitura de BH.

Ah sim!
… Aécio, por incrível que pareça, é aquele mesmo que é apoiado nacionalmente pelo DEM para a candidatura a presidência da República contra Dilma, do PT.

Façam suas apostas sobre o cenário de 2010 porque para mim nunca na história deste país (sic) esteve tão confuso.

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