Eleições 2010: quando o balde de absurdos transborda

O cenário pré-eleitoral que já estava beirando o absurdo transbordou. E não é choro de oposição. A situação chegou em um ponto que até a militância do PT já se sente envergonhada pelo antes representante do partido da ética.

Foram quatro multas recebidas pelo presidente Lula por fazer campanha antes da hora. QUATRO. Fora a campanha explícita no horário eleitoral gratuito que foi ao ar e nenhum juiz se pronunciou, enquanto as propagandas do Democratas tem sido frequentemente censuradas.

Algo estranho, não fosse o fato do TSE ter seu principal cabeça indicado pelo presidente Lula.

O caso do filme “Lula, o filho do Brasil” eu nem comento. O que eu prefiro citar é a reação do presidente da República exposta pelo Luciano Tadeu Damiani, presidente do Sindicado das Empresas Videolocadoras do Estado de São Paulo, em entrevista a revista Época:

Segundo ele, o presidente Luis Inácio, que já havia declarado ter assistido a versão pirata de “Dois filhos de Francisco”, pediu uma cópia do filme e achou ruim quando Fábio Barreto disse que queria evitar a reprodução ilegal. Mas é claro! O filme-campanha patrocinado pela Petrobras deveria chegar nas mãos da massa, e nada melhor que um DVD pirata para tal. Os altos impostos do Governo Federal impedem que a massa popular comprem o produto original.

A íntegra da entrevista está neste link aqui.

Beirou o absurdo? Pois é… Agora transborda com a nota fresquinha do Lauro Jardim, da revista Veja: “Lula usa comunicação do governo para Dilma“.

Segundo Lauro, Lula utilizou a coluna semanal “O presidente responde”, endereçada a 153 jornais do país, para falar que a candidata que fez parte da construção do PAC com certeza seria aquela que daria continuidade ao programa no próximo mandato.

E se isso tudo não puder ser configurado como crime eleitoral, meus amigos, me desculpem mas o que precisamos não é de um bom governante. É de um país com instituições de verdade.

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Era uma vez Lula, a fábula do Brasil

Em artigo iniciado com o tradicional “Once upon a time” (“Era uma vez“) dos contos de fadas, o artigo “Lula, sanitised” (“Lula, higienizado“) da versão impressa do “The Economist” de ontem, 21, relata a fábula (“tale“) cinematográfica que tenta transformar o presidente brasileiro em mito com o financiamento de grandes empresários ligados ao Governo Federal (como afirma ao citar matéria da revista Veja ainda em sua pré-estréia.).

Cita, para justificar seu início, a forma com que o filme retrata Lula como “um estudante perfeito, um marido perfeito e um político moderado que abomina a violência” ao mesmo tempo em que corta cenas de seu livro-fonte como a do assassinato de um empresário em meio à greve de seu sindicato.

No entanto, esta tentativa frequente de transformá-lo em mito por meio de golpes midiáticos não é novidade para nós, brasileiros.

Um exemplo atual disto foi o discurso de ontem, quando Lula chamou o presidente tucano, Sérgio Guerra, de babaca de fronte a seus ministros em contraposição à sua fala de hoje para a população de Itapira (SP) quando se fez de amigo do governador, também tucano, José Serra.

São por essas e outras que a população brasileira, atenta, já percebeu o que é jogada de marketing e o que é verdade. Isso justifica o fracasso de público do filme de Lula, justifica o fracasso da “mineirização” de Dilma e justificará o fracasso eleitoral do PT em outubro.

A mídia internacional, no entanto, só está começando a perceber agora mas, mesmo assim, ainda há tempo para que se responda o que perguntou o portal latino HACER sobre o nosso presidente: “Lula ¿Cristo o Castro?

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